vejo-te ainda no chão enquanto procurava um cigarro, em sonhos confundo essa imagem com o teu corpo branco depois de tomares os comprimidos, ainda não sei como morreste, porque não telefonaste para ninguém no último momento, para mim, para a Leonor ou para o Pedro, como foste capaz de evitar que alguém te socorresse e te levasse para o hospital (…) talvez te enganasses na dose, quisesses apenas dormir um dia para esquecer, sobretudo para não te lembrares de mim… ou então a tua dor era tão insuportável que já não suportavas mais (…) podias apenas ter tomado uma dose pequena e eu no dia seguinte estaria contigo …
— Tudo o Que Temos Cá Dentro, Daniel Sampaio


